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União dos Maçons

  • Escrito por Dhanyel | No Comments Comments
    Last Updated: August 14th, 2008

    Soberanos Grãos Mestres do GOB

    Soberanos Grãos Mestres do GOB

    Trace um quadro geral da Maçonaria no Brasil, hoje.

    Francamente, otimista. A Maçonaria está crescendo. Nós crescemos nestes últimos três anos uma média de seis lojas por mês, o que dá mais de uma por semana. A cada semana cria-se pelo menos uma Loja do Grande Oriente do Brasil, sem falar nas outras potências que também têm crescido suficientemente. De modo que isso é promissor. Embora em alguns países, como os Estados Unidos, haja uma preocupação com relação ao declínio, porque não souberam conquistar a juventude. A juventude se afastou um pouco das iniciações, caiu bastante o número de iniciações lá. Aqui, no nosso país, não. Tivemos justamente o contrário. Nós estamos procurando conquistar os jovens e temos conseguido realmente. Nas nossas Lojas que, normalmente, são formadas por homens de certa idade, hoje já encontramos uma média etária um pouco mais baixa.

    Então há, realmente, esta preocupação de levar jovens para dentro da Maçonaria?
    É claro. Nós não somos eternos, nós precisamos renovar nossos quadros. Trazer a juventude é fundamental e é a garantia para dar continuidade à Obra Maçônica.

    O senhor fala em reunir as potências que existem hoje. O senhor acha isso possível?
    Acho que é difícil, mas não é impossível. Eu digo difícil porque cada uma já tem sua estrutura. Hoje, as Grandes Lojas já têm quase 80 anos, os Independentes já têm mais de 20 anos então torna-se um pouco difícil, mas não é impossível. Mas nós temos em mente não propriamente uma fusão, mas, sim, uma pacificação da Maçonaria no sentido de que haja uma compreensão, uma convivência harmônica entre as potências que existem no Brasil. As potências sérias. Podem surgir aqui ou ali outras potências, mas as três potências sérias, essas duas outras oriundas do Grande Oriente do Brasil (as Grandes Lojas e os Grandes Orientes Independentes) e o Grande Oriente do Brasil que, historicamente, é, sem dúvida, a mais importante do Brasil. Surgiu no Brasil há 174 anos, vamos fazer 174 anos no próximo 17 de junho.

    O senhor diz que não é impossível, mas olhando mundo afora podemos constatar um certo colapso, como por exemplo o acontecido na França, no final do ano passado, quando o Grão-Mestre Geral foi deposto e seu substituto impedido de assumir. O senhor acha que a Maçonaria do Grande Oriente se tornou muito política e deixou a parte espiritual de lado ou não?
    Este episódio da França aconteceu no Grande Oriente da França que é a potência mais tradicional daquele país, mas ela é hoje pouco reconhecida mundialmente porque ela descambou, ela saiu daquela linha tradicional da Maçonaria: ela admitiu francamente a Loja feminina, ela admitiu a discussão sobre a existência de Deus – as Lojas tradicionais não admitem isso – , os nossos Landmarks não permitem, o respeito aos Landmarks é fundamental. Isto fez com que o Grande Oriente da França fosse considerado irregular pelas Grandes Lojas da Inglaterra, pela unanimidade das Lojas norte-americanas e nós no Brasil também não reconhecemos mais o Grande Oriente da França. Mas qualquer divergência que ocorre no seio da Maçonaria é histórica. A Maçonaria tem como um de seus fundamentos a liberdade de opinião. Para ser maçom é preciso ser livre e de bons costumes. A primeira condição para ser maçom é ser livre. Ora, esta liberdade faz com que ele tenha a possibilidade de discutir, de expressar suas idéias livremente e nem sempre as idéias de um coincidem com as de outro. Dentro de uma Loja Maçônica nós vemos isso. A Maçonaria não incentiva, mas admite perfeitamente que um grupo saia de um Loja e vá fundar outra Loja por discordância de opiniões. Não se tornam inimigos, são irmãos, mas podem divergir, então aquele grupo sai e vai fundar uma Loja seguindo uma linha um pouco diferente daquela anterior. Isso se dá também nas potências maçônicas, isto não é nada mais do que um reflexo daquilo que ocorre em nossas Lojas.

    O senhor não acha que essa liberdade de visitação entre potências possa enfraquecer a Maçonaria?
    Eu não creio que isso possa enfraquecer, isso só pode fortalecer a Maçonaria. É evidente que há uma linha a ser seguida, uma disciplina a ser seguida. Não se pode misturar demais se não começam a brotar potências maçônicas por aí. Hoje em dia, para se fundar uma potência maçônica, do ponto de vista formal, não sob o ponto de vista essencial, é só pegar um papel, escrever um estatuto e ir ao cartório registrar. Isso não pode acontecer, é claro. Potência séria é aquela que se mantém fiel às nossas tradições, aos Landmarks, às antigas regras e leis da Maçonaria. Eu acredito que a liberdade de visitação seja importante, isto só fortalece.

    Voltando à pergunta original: o senhor acha que a Maçonaria hoje é mais política do que espiritual?
    Não. Ela mantém viva a sua tradição. É o que faz com que ela subexista através dos séculos, é este cunho espiritualista que une os maçons, esta busca da verdade, esta investigação permanente do maçom, esse prestígio que a Maçonaria dá ao intelecto do homem, ao trabalho intelectual, isto é muito importante para a Maçonaria e acredito que será sempre. É evidente que ela sempre se interessou também pelo aspecto político, no sentido do desenvolvimento de um povo, de liberdade de um povo, de boa administração de uma nação. Esse aspecto político interessa à Maçonaria e ele não está muito afastado do aspecto espiritual porque tem fundamentos nas coisas do espírito para que se possa chegar a estabelecer linhas de conduta na parte de organização política.

    O senhor acha que as pessoas que aspiram entrar para a Maçonaria a vêem como uma escada social?
    Há quem aja assim e não são poucos. É uma tendência humana. É natural do homem querer subir e então pode se inscrever na Maçonaria para galgar degraus. Dentro da Maçonaria nós fazemos carreira, a carreira maçônica, nós chamamos “a escada de Jacó”. O que é isso, senão a subida nos graus filosóficos. Então, é uma tendência humana e a Maçonaria é feita, sobretudo, para o homem.

    E o senhor diria que isso é possível? Galgar cargos políticos e outras posições sociais através da Maçonaria?
    Diria que não é impossível. Aqui e ali tem ocorrido muitas vezes até num sentido muito bom. Pessoas livres e de bons costumes, bons maçons, que acabam marcando a sua posição na sociedade e são chamados, por isso, a exercerem cargos importantes.

    E o contrário? Quando a Maçonaria busca para seus quadros alguém que já atingiu um determinado patamar, uma certa importância. Por exemplo, quando Collor foi eleito ele foi convidado a fazer parte da Maçonaria.
    Não foi.

    Isso foi divulgado pela imprensa.
    Não me consta que Collor tenha sido convidado a entrar na Maçonaria. Eu tenho comigo, até hoje, uma circular distribuida por Lojas Maçônicas de Maceió condenando a candidatura de Fernando Collor. Eu nem o conhecia direito e o Brasil inteiro pouco conhecia o Collor, quando as Lojas Maçônicas, não sei porque exatamente, pode ter sido algum problema interno ou um posicionamento em face da vida pregressa do candidato, mas o fato é que algumas Lojas Maçônicas de Maceió mandaram isso – eu era o orador da minha Loja, então, e tive a oportunidade de ler isso – contra a candidatura Collor.

    O senhor disse que “A Maçonaria é forte, mas não é unida”. Qual seria esta força da Maçonaria? O que o senhor chama de “forte”?
    Quando o homem se une, quando se dá as mãos, ele se fortalece. Em qualquer setor da atividade humana “a união faz a força”, como diz o velho ditado. Para a Maçonaria, que é uma união dos homens, uma irmandade, uma fraternidade, essa união é que constitui a grande força.

    Para citar um exemplo de força, diz-se que Charles jamais será rei da Inglaterra porque não é maçom e todos os reis da Inglaterra eram maçons. Isto é verdade? E como funciona esta força no Brasil?
    Há alguma verdade nisso. É uma característica do Reino Unido, da Inglaterra. A Maçonaria tem grande importância no desenvolvimento da coletividade inglesa. A Maçonaria como se pratica hoje nasceu em Londres pela união da Loja de York com a Loja de Londres, surgiu a Grande Loja Unida da Inglaterra que é a Loja-Mãe da Maçonaria Universal. Os ingleses tem uma consideração muito grande pela Maçonaria. É a Maçonaria mais disciplinada, mais fiel às suas tradições, aos seus Landmarks, aos seus princípios. Por tradição, você sabe, o inglês preza muito a sua Coroa, a sua Família Real. Ele critica, mas não admite que você critique. Ele se julga no direito de dizer o que pensa da Família Real Inglesa, mas não gosta quando a gente critica. Então ele preza muito e a maneira dele dizer que gosta da Maçonaria é ligá-la à Família Real. O Grão-Mestre da Maçonaria inglesa é o Duque de Kent que é eleito todos os anos – lá o mandato é de um ano só – há 33 anos o Duque de Kent é eleito, todos os anos, Grão-Mestre da Maçonaria Inglesa.

    Usando novamente sua frase – “A Maçonaria é forte, mas não é unida” – o senhor falou que o Grande Oriente da França admitiu a Maçonaria Feminina e em seu discurso, quando da comemoração dos 160 anos da Loja 21 de Março, o senhor falou de união e citou as Grandes Lojas e os Orientes Independentes, deixando de fora a Maçonaria Mista e a Feminina. Como o senhor vê esta situação?
    É a tradição da Maçonaria. A Maçonaria, no fim da Idade Média, formou-se das corporações de construtores, de arquitetos e a arquitetura, ao menos naquela época, era um serviço pesado, um serviço para homem. Então, quando eles se reuniram para guardar os segredos da construção civil, das grandes catedrais, esta técnica não era conhecida de todos, só de alguns privilegiados – talvez daí também a tradição do “Segredo Maçônico” – , eles se reuniram, à portas fechadas, para que essas técnicas não escapassem dali, para os profanos. E foram estas corporações de construtores que geraram a Maçonaria moderna. As coisas dentro dela foram se transformando e acabaram aceitando pessoas que não pertenciam à classe – os maçons aceitos -, introduzidos por serem intelectuais, por serem homens de grande prestígio, então valia a pena para aquela sociedade, que era voltada apenas para a construção civil. A entidade já existia, continuou existindo mas foi admitindo elementos estranhos àquela profissão. Então estas práticas eram todas exclusivas do homem. Não se podia pensar que uma mulher fosse carregar pedras pesadas ou deslocar blocos, era o homem e até hoje é assim. A mulher ficou então fora da Maçonaria, mas ela foi adquirindo um papel muito importante na Maçonaria: a esposa do maçom, a filha do maçom, a mulher ligada ao maçom. Tanto é que ninguém entra para a Ordem, sendo casado, se sua esposa não estiver de acordo, se sua esposa não consentir. A Maçonaria não quer destruir o lar de quem quer que seja, ela quer preservar a família. Se aquele lar for destruído será por outras causas alheias à Maçonaria. Então a tradição ficou, não porque a mulher não tenha capacidade para ser maçom. Dizem, de brincadeira, que a mulher não guarda segredo e por isso não pode ser maçom, mas isso é piada, evidentemente. Como os nossos Landmarks são a chamada Lei Básica da Maçonaria e, um deles, menciona este fato de que “devem ser iniciados apenas pessoas do sexo masculino”, então fica difícil encontrarmos uma brecha para a entrada regular na Maçonaria da iniciação da mulher. Então o que é que nós fazemos? No Grande Oriente do Brasil, nós já criamos e estamos regulamentando a Associação Maçônica Feminina, diria Paramaçônica, na qual a mulher pode se reunir e praticar certos princípios e atividades maçônicas – como a filantropia maçônica. Nós sentimos que a mulher é importante, principalmente na área da educação dos jovens. É quem educa melhor. Ela entra para a Maçonaria desta forma. Talvez não se inicie, não conheça a ritualística maçônica diretamente mas não deixa de pertencer à Maçonaria.

    Existem Ordens Maçônicas Mistas nas quais admite-se a entrada de maçons de outras potências, mas o contrário não é permitido. Como o senhor vê isto.
    Nós somos uma ordem disciplinada. Para que a Maçonaria possa subexistir é preciso guardar sua disciplina. E é por isso que nós não admitimos que nós frequentemos Maçonarias irregulares e a Maçonaria Feminina é ainda, a nível de Maçonaria Universal e Tradicional, irregular. E a Maçonaria Mista ainda é pior porque há ali uma mescla que não pega bem. A iniciação Maçônica se dá com a pessoa, de certo modo, desnuda . Você pode ver em livros que mostram ilustrações antigas, a ópera A Flauta Mágica de Mozart, também mostra, então como você vai iniciar numa Loja Mista uma mulher despida, todo mundo olhando para ela?! Aquilo fere o pudor dela própria. A mulher é muito importante e existem, hoje, poucos lugares que não foram preenchidos pelas mulheres como a ordenação sacerdotal na Igreja Católica. A Maçonaria também ainda não admite, mas quem sabe, nós não somos donos do futuro nem da Verdade, quem sabe, a Maçonaria, imutável em seus princípios, pode mudar em suas formas. As roupas que os maçons usam hoje evidentemente não se assemelham às que usavam há 200 anos atrás, então é possível que mais tarde a mulher ingresse devidamente na Maçonaria. Já entrou, como disse, cumprindo aquele papel sublime de educadora.

    A sua posição e a da Maçonaria – é declaradamente tradicionalista. Vocês não correm o risco de não se adequarem ao tempo atual?
    Não, ser tradicionalista não quer dizer que não possa ou não se deva adaptar às coisas presentes. Pode-se, mas com um pouco mais de cautela. Não se age impensadamente. Mudar por mudar. Não leva à nada, pelo menos na minha ótica. O homem precisa mudar, realmente, mudar para melhor. Mudar melhorando. É preciso cautela. A Maçonaria nos dá uma lição muito grande a respeito disso: ensina a mudar, sem precipitações.

    Para finalizar: qual seria a maior preocupação do Grande Oriente – a “Ordem do Dia” – atualmente?
    Nós estamos preparando para o próximo ano, em Brasília, uma grande concentração de maçons com o propósito de comemorar os 175 anos do Grande Oriente do Brasil, a primeira Potência Maçônica a ser fundada em nosso país. E a nossa grande meta é formar líderes no seio da coletividade. Para que formar líderes? Para que eles possam bem dirigir a si próprios, para que possam ser úteis às suas famílias e sobretudo à coletividade. Não que queiramos conquistar cargos administrativos ou políticos, queremos formar líderes verdadeiramente, que o maçom seja um líder. Um líder em casa, um líder no trabalho, na rua, na repartição, em qualquer lugar. Que ele possa ser útil à coletividade.

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