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A GLTP e a questão da Regularidade

  • Escrito por Dhanyel | 4 Comments4 Comments Comments
    Last Updated: May 5th, 2009

     

    A GLTP e a questão da Regularidade

    Aos 4 de Setembro de 1929, a Grande Loja Unida de Inglaterra definiu as oito “condições” nos termos das quais podia reconhecer a regularidade de uma Grande Loja estrangeira. De uma forma geral as Potências Maçônicas do Norte da Europa seguiram-na nesta formulação, sem que tenha alguma vez havido uniformidade. Na realidade só as três “Home Grand Lodges” Inglaterra, Escócia e Irlanda, permaneceram alinhadas em todas as ocasiões. As Grandes Lojas dos EUA criaram o seu próprio sistema de reconhecimento, em muitos casos reconhecendo potências que a UGLE não reconheceu e vice versa, como no caso do Brasil, com o GOB e as Grandes Lojas Estaduais. Assim criou-se uma diferença de conceito entre “regular”, que tem a ver com o funcionamento, e “reconhecida” que tem a ver com questões de política internacional das Jurisdições, fortemente influenciada por fatores de tipo profano. Em conseqüência passou a haver a Maçonaria Liberal ou adogmática, na linha do Grande Oriente de França, dita “irregular”, a Maçonaria “regular” mas não reconhecida pelos Ingleses (GL da Índia ou GO de Itália), a Maçonaria “regular” mas não reconhecida pelos americanos (GO do Brasil), a Maçonaria “regular” mas não reconhecida pelos ingleses e americanos ( GL de França), a Maçonaria “regular” só reconhecida pelos ingleses (GLR de Itália), Maçonaria “regular” reconhecida por outras potências não reconhecidas pelos anglo-saxónicos ( GLRP ), etc, etc, etc.

    Este panorama mostra a falência de um sistema que se pretendeu monolítico e burocrático, e que faz depender as relações entre Lojas Maçônicas exclusivamente dos aparelhos centrais das Grandes Lojas profissionalizadas. Para a completa confusão muito veio contribuir um ainda mais complexo, burocrático e conflituoso sistema de reconhecimento mútuo entre “altos graus”, teoricamente dependente do reconhecimento prévio das Grandes Lojas entre si.

    Neste quadro a GLTP reconhece a existência e a validade de outras Jurisdições Maçônicas, com diferentes formas de interpretação da Tradição e diferentes práticas de trabalho, com quem se propõe manter relações fraternais, ao nível institucional e pessoal, mesmo quando tal não seja possível no trabalho Ritual.

    A GLTP considera que não há Potências “regulares” ou “irregulares”, mas apenas Jurisdições ou Obediências Maçônicas que trabalham de forma séria e responsável, de acordo com a Tradição e as Leis do seu País.

    Apesar disso  julgamos útil uma sucinta análise crítica das referidas Regras da UGLE, que a seguir se transcrevem:

    1.       A regularidade de origem, isto é, que cada Grande Loja tenha sido criada regularmente por uma Grande Loja devidamente reconhecida, ou por três Lojas ou mais regularmente constituídas.

    2.       A crença no Grande Arquiteto do Universo e na sua vontade revelada como condição essencial para a admissão de membros.

    3.       Que todos os Juramentos sejam prestados sobre o Livro da Lei Sagrada, como forma de ligar irrevogavelmente a consciência do iniciado à transcendência da Revelação Divina.

    4.       Que a composição da Grande Loja e das Lojas particulares seja exclusivamente de homens, e que cada Grande Loja não tenha qualquer ligação maçônica, de qualquer natureza, com Lojas mistas ou com organizações que, reclamando-se da Maçonaria, admitam mulheres como membros.

    5.       Que a Grande Loja exerça uma jurisdição soberana sobre as Lojas submetidas ao seu controle, quer dizer, que seja um organismo responsável, independente e inteiramente autônomo, possuindo uma autoridade única e incontestada sobre o trabalho e os Graus simbólicos – Aprendiz, Companheiro e Mestre – colocados sob a sua administração. Que não seja de alguma maneira subordinada a um Supremo Conselho ou a outra potência que reivindique um controlo ou vigilância sobre esses Graus, nem partilhe a sua autoridade com outras quaisquer potências.

    6.       Que as Três Grandes Luzes da Maçonaria – o Livro da Lei Sagrada, o Esquadro e o Compasso – estejam sempre expostos durante o trabalho da Grande Loja ou das Lojas sob o seu controle, sendo que a principal dessas Luzes é o Livro da Lei Sagrada.

    7.       Que a discussão de natureza política ou religiosa seja interdita em Loja.

    8.       Que os princípios dos Antigos Landmarks, Costumes e Usos de Ofício, sejam estritamente observados.

    A segunda regra estipula que se comprove junto de um Candidato a sua crença no GADU no momento da admissão.

    A GLTP enunciará ao Candidato os princípios Tradicionais em que se baseia mas não colocará a pergunta sobre a crença em Deus, nem exigirá qualquer declaração escrita que force o Candidato a revelar o seu pensamento sobre essa matéria.

    Na GLTP os Candidatos e os Obreiros solenizarão as suas promessas da forma que for conforme ao seu sistema de crenças e valores, desde que julgada digna e elevada pelas Autoridades da Ordem.

    A GLTP não aceita nem aceitará nunca o Ponto 4 das regras atrás referidas. A recusa em reconhecer a igualdade plena entre os dois sexos e a possibilidade da Mulher se integrar em Jurisdições com Homens, quer em Lojas integradas, quer em Lojas separadas, é uma das mais graves abdicações das modernas Jurisdições, obrigadas pela Tradição a serem “Luz para o Mundo”. Sem coragem para operar a sua própria evolução, prisioneiras das suas burocracias e vaidades, permaneceram agarradas a um condicionalismo histórico-econômico ultrapassado e tornaram-se incapazes de reconhecer e liderar soluções para os males do mundo profano.

    Na GLTP serão aceita Pessoas, que se organizarão em Lojas de acordo com a forma como desejam trabalhar. Como é óbvio poderão existir Lojas que desejem trabalhar apenas entre Homens ou apenas entre Mulheres. Caberá, e só, aos Irmãos e Irmãs decidir como pretendem trabalhar.

    A GLTP está plenamente da justeza da sua opção, que se baseia inteiramente na aceitação da diversidade do Ser Humano, sem ignorar a Fraternidade resultante de todos sermos filhos de um único Grande Arquiteto do Universo, revelado no íntimo de cada um, de forma pessoal e secreta.

    Fonte:  www.gltp.pt

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4 Comments

  1. #1
    Cleiton
    July 28th, 2009 at 23:53

    Uma Loja ou Grande Loja é considerada pelo seu “nascimento”, ou seja, se a mesma foi formada a partir de uma cisão numa Potência Regular Legal e Legítima. Não é o caso desta GLTP, que foi “inventada” para atender o desejo de alguns que acreditam estar investidos do direito e do poder de questionar uma coisa legítima e tradicional, a Maçonaria.
    Essa GLTP pode ser qualquer coisa, pode ter pessoas de boa fé em suas fileiras, mas não são e nunca serão Maçonaria.

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  2. #2
    kim
    August 31st, 2009 at 16:32

    Caros participantes.
    Defendo aqui é agora, o sagrado direito de alguns em querer ser supervenientes da GLUI, isto é típico de Maçons nascidos em países de 3º mundo que por ainda não terem tradição, se escravidão as tradições alheias, tentam com isto suprir seu ego, se achando poderoso em pertencer a uma Potência “Reconhecida”, mas repito, eles tem este direito de render homenagem ao “tal” Lord Kent, que é por eles reconhecido como o “Dono da Maçonaria”, e dizem ainda que a escravidão acabou. Quando não são escravizados, lutam para serem.

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  3. #3
    Mário Parra da Silva
    September 15th, 2009 at 16:55

    Sobre a GLTP está enganado: Nasceu de forma perfeitamente regular, formada por três Lojas da GLLP, reconhecidas por todas as Potências Regulares do Mundo. As Lojas que a formaram são a RL Brasilia, a RL Excalibur e a RL Camelot. Temos exactamente a mesma legitimidade que a própria UGLE, também ela formada por quatro Lojas dissidentes. Acresce que depois disso a GLTP foi reconhecida por diversas outras Grandes Lojas cuja legitimidade iniciática nunca foi posta em causa por qualquer maçon Regular. Mas esta questão é insignificante. A verdadeira questão é haver quem queira, qual nova Inquisição, decretar a vida ou a morte, a ortodoxia ou a heresia, de uma Potência Maçónica. Julque-nos pelas nossas obras não pelos seus dogmas. Por isso não aceitamos a superioridade de um dogma sobre outro. Praticamos a maçonaria de acordo com a Tradição não de acordo com as opções (respeitáveis) particulares de outros. Já agora sabe que alguns dos mais respeitados Maçons em vida nunca foram “regulares”? sabe que as novas realidades maçónicas (Altos Graus, novos Ritos) nasceram contra a oposição de “papistas” que decretavam a sua “irregularidade”? Sabe que ainda hoje a Grande Loja Unida de Inglaterra tem a oposição de ultra ordoxos, que fundados no que havia antes de 1717, a acusam de não ser “regular”? Que perda de tempo…unamo-nos na luta por uma vida melhor para o conjunto da Humanidade e pelo aperfeiçoamento interior de cada um, construamos o Templo com várias Salas e diferentes, plurais, abertas ao mundo… Estas discussões, sim, não são maçonaria.

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  4. #4
    António Jorge Carvalheira GLTP-Mestre
    September 24th, 2009 at 15:26

    Meus Irmãos, Irmãs
    e Profanos:
    Faz muito tempo que estou longe da minha Loja e da GLTP.
    Mas estou sempre presente no meio dos meu Irmãos e Irmãs da GLTP. Nunca e jamais estive só. Os meus Irmãos e Irmãs, sempre se esforçaram e lutaram (esfoçam e lutam) por estar comigo apoiando-me. Passei momentos muito maus e extremamente graves. Meus Irmãos sempre presentes. Estou vencendo graças a Eles.
    Maçonaria existe, faz-se e pratica-se, não importa o local, a distância e a Pessoa.
    A minha vida não chega para agradecer todo o esforço dos meus Irmãos e Irmãs em todos os seus Graus.
    Por isso, subescrevo todo o texto do meu Muito Venerável Grão Mestre, bem como a resposta dada ao Cleiton e, a todos os Cleitons (com total e devido respeito).
    Maçonaria e ser Maçon meus Irmãos e Irmãs, não é pavonear dogmas, opiniões, aventais, paradigmas, exclusões e outros chavões. Maçonaria é praticar, fazer, trabalhar, lutar, ser Fraterno (não fazer de conta ou só palrar), participar, intervir, agir. Maçonaria tem evidentemente as suas Regaras, Leis, Princípios, Tradições, Etc., mas também tem Evolução, Desenvolvimento, Actualização, Trabalho, Luta, Sacrifício, Responsabilidade, etc.
    Afinal e para terminar, onde está e qual é o Segredo Maçónico?
    Muito humildemente, sei e conheço só um pouco e uma parte do Segredo!
    Obrigado Meu Muito Venerável Grão Mestre, e a Todos os meus Irmãos e Irm

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